sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O processo de produção do artesanato do barro no Córrego de Areia





A matéria-prima para a produção de louças e construção dos fornos  é retirada de um terreno baldio da comunidade que acumula água no período do inverno e apresenta  torrões durante a seca.




Uma vez por semana, principalmente nas segundas feiras, as louceiras se dirigem para este local para fazerem a extração do barro e levar para casa.
Em seguida, estende um saco de plástico no chão no da cozinha ou do terreiro e começa a amassá-lo com os pés durante uma hora e meia para que o mesmo adquira uma consistência mole e lisa para ser modelado. Depois é recolhido e armazenado em sacos de plástico para não ressecar e endurecer. Assim ele pode ir sendo aproveitado de acordo com a demanda de encomendas.[1]
Antes de fazer a modelagem o barro é amassado várias vezes com a mão. Sentada no chão, com as duas pernas abertas ou entrelaçadas, a louceira utiliza o barro, uma bacia com água e alguns instrumentos como as tábuas de madeiras em tamanhos diversos, tecido, pente, faca e pedra.

As peças são expostas ao sol para secagem durante três dias. Em seguida, são armazenadas dentro do forno de acordo com o seu tamanho. O mesmo é aquecido com talos de carnaúba e outros tipos de madeira. Geralmente, as que ficam mais próximos do fogo precisam ser protegidas com areia evitando que as mesmas se quebrem.

É bom lembrar que as louças só podem ser retiradas do forno após o resfriamento ocorrido naturalmente.

A modelagem propriamente dita  de peças prontas é mostrada em um vídeo produzido por alunos do 9º ano da Escola Antonio de Castro Pereira pertencente a esta comunidade em 2013.


[1] MENDES, Francisca Raimunda. Remodelando Tradições: os processos criativos e os significados do trabalho artesanal entre as louceiras do Córrego de Areia. Dissertação de mestrado em Sociologia da UFC,2004, pp.33-42.


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