A
matéria-prima para a produção de louças e construção dos fornos é retirada de um terreno baldio da comunidade
que acumula água no período do inverno e apresenta torrões durante
a seca.
Uma vez por semana, principalmente nas segundas feiras, as louceiras se dirigem para este local para fazerem a extração do barro e levar para casa.
Em seguida, estende um saco de plástico no chão no da cozinha ou do terreiro e começa a amassá-lo com os pés durante uma hora e meia para que o mesmo adquira uma consistência mole e lisa para ser modelado. Depois é recolhido e armazenado em sacos de plástico para não ressecar e endurecer. Assim ele pode ir sendo aproveitado de acordo com a demanda de encomendas.[1]
Antes de fazer a modelagem o barro é amassado várias vezes com a mão. Sentada no chão, com as duas pernas abertas ou entrelaçadas, a louceira utiliza o barro, uma bacia com água e alguns instrumentos como as tábuas de madeiras em tamanhos diversos, tecido, pente, faca e pedra.
As peças são expostas ao sol para secagem durante três dias. Em seguida, são armazenadas dentro do forno de acordo com o seu tamanho. O mesmo é aquecido com talos de carnaúba e outros tipos de madeira. Geralmente, as que ficam mais próximos do fogo precisam ser protegidas com areia evitando que as mesmas se quebrem.
É
bom lembrar que as louças só podem ser retiradas do forno após o resfriamento
ocorrido naturalmente.
A modelagem propriamente dita de peças prontas é mostrada
em um vídeo produzido por alunos do 9º ano da Escola Antonio de Castro Pereira pertencente a esta comunidade em 2013.
[1]
MENDES, Francisca Raimunda. Remodelando
Tradições: os processos criativos e os significados do trabalho artesanal entre
as louceiras do Córrego de Areia. Dissertação de mestrado em Sociologia
da UFC,2004, pp.33-42.

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